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  • Foto do escritor: Arthur Alexander
    Arthur Alexander
  • há 5 dias
  • 2 min de leitura

Ansiedade constante o que fazer.

Essa pergunta aparece com frequência quando a ansiedade deixa de ser algo pontual e passa a ocupar um lugar contínuo na experiência de quem a vive.

Essa pergunta costuma aparecer quando algo já não responde mais ao esforço habitual. Não se trata de uma preocupação pontual, nem de um momento específico de tensão. Trata-se de uma presença contínua, que atravessa a rotina e não se dissipa com facilidade.

Muitas vezes, a primeira tentativa é recorrer ao pensamento. Procurar entender o que está acontecendo, antecipar possibilidades, organizar cenários, evitar erros. Há um movimento de revisão constante: do que foi dito, do que poderia ter sido feito diferente, do que pode acontecer adiante.

Durante algum tempo, isso pode produzir a impressão de que algo está sendo manejado. Mas, em certo ponto, esse recurso começa a falhar. O pensamento deixa de operar como ferramenta e passa a girar em torno de si mesmo. Quanto mais se tenta resolver, mais a ansiedade se intensifica.

Esse movimento pode produzir a sensação de estar preso em um ciclo. Um funcionamento que não se interrompe, mas também não conduz a uma saída.

A ansiedade constante nem sempre se apresenta como falta de controle. Quando alguém começa a se perguntar ansiedade constante o que fazer, muitas vezes já está diante desse ponto em que o excesso de tentativa de controle passa a produzir mais tensão do que alívio. Em muitos casos, ela aparece justamente onde há uma tentativa excessiva de controlar. De dar conta do passado, do presente e do futuro ao mesmo tempo. De reduzir a incerteza a algo administrável.

Mas há um limite para isso.

Garota angustiada

O pensamento não alcança tudo. E quando se exige dele mais do que pode oferecer, ele deixa de organizar e passa a repetir. Nesse ponto, a pergunta “o que fazer?” tende a ganhar urgência.

Ainda assim, nem toda ansiedade responde a uma solução direta. Nem todo sofrimento se dissolve quando compreendido de forma racional.

Há algo que insiste. Que retorna, mesmo quando já foi nomeado. Algo que não se reduz ao entendimento e que, muitas vezes, se torna mais evidente justamente quando o pensamento falha.

Isso pode ser desconcertante, porque contraria uma expectativa comum: a de que compreender seria suficiente para resolver.

Talvez não seja.

Talvez a questão não esteja apenas em pensar melhor, mas em poder se aproximar disso de outra forma. Reconhecer que há algo em jogo que não se organiza inteiramente pelo controle ou pela antecipação.

Nesse sentido, a ansiedade que não passa pode ser menos um erro a ser eliminado e mais um sinal a ser escutado.

Não como algo que precisa desaparecer rapidamente, mas como algo que aponta para uma questão que ainda não encontrou lugar.

Quando isso acontece, insistir nas mesmas estratégias tende a produzir o mesmo efeito. E, por vezes, o primeiro deslocamento possível não está em fazer mais, mas em suspender, ainda que por um instante, a exigência de resolver.

Sustentar esse ponto não elimina a ansiedade de imediato. Mas pode abrir espaço para que algo dela deixe de apenas se repetir e comece, aos poucos, a se inscrever de outro modo.


 
 
 
  • Foto do escritor: Arthur Alexander
    Arthur Alexander
  • 5 de abr.
  • 2 min de leitura

Dificuldade em se relacionar pode não ser falta de esforço. Às vezes, o que se repete nos vínculos não está exatamente no que a pessoa faz, mas em algo que insiste sem que ela perceba.

Muitas pessoas se perguntam, em algum momento: por que meus relacionamentos não dão certo?

Não importa se são relações amorosas, amizades ou vínculos familiares. Algo parece sempre se repetir. Conflitos, afastamentos, frustrações… e, no final, uma dúvida que retorna de forma quase inevitável: o problema sou eu?

Essa pergunta costuma vir carregada de peso. E, ao mesmo tempo, pode ser um ponto de entrada importante — não para encontrar um culpado, mas para começar a se aproximar de algo que ainda não foi compreendido.

A dificuldade em se relacionar nem sempre aparece de forma evidente. Às vezes, ela se manifesta em relações intensas que acabam rápido. Em uma sensação constante de não ser compreendido. No medo de perder o outro, mesmo quando tudo parece estar bem. Ou, ainda, em um afastamento que acontece antes que algo mais profundo possa se construir.

Com o tempo, essas experiências podem produzir a impressão de que há algo errado consigo mesmo — como se houvesse um defeito, algo que impede que as relações se sustentem.

Mas nem sempre se trata de defeito.

Quem vive esse tipo de situação geralmente já tentou mudar. Tentou ser mais paciente, mais compreensivo, mais flexível. Tentou escolher pessoas diferentes, agir de outra forma, evitar certos comportamentos.

E, ainda assim, algo retorna.

Essa repetição costuma ser o que mais angustia. Porque dá a sensação de que não importa o esforço, o resultado tende a ser parecido.

Talvez, nesse ponto, a questão comece a se deslocar. Em vez de “o que eu estou fazendo de errado?”, algo como: o que, em mim, se repete sem que eu perceba?

Na psicanálise, não se trata apenas de escolhas conscientes. Há algo que insiste, que retorna, mesmo sem uma decisão clara. Não é planejado. Não é deliberado.

Mas aparece.

Na forma como alguém se envolve. No tipo de pessoa que atrai. Na maneira como interpreta o que o outro diz ou faz. Em pequenas reações que, pouco a pouco, vão organizando os vínculos sempre de um jeito semelhante.

Perguntar se o problema é “eu” pode facilmente levar para um lugar de culpa. Mas talvez não seja essa a direção mais interessante.

Talvez a questão não seja encontrar um erro, mas poder reconhecer algo da própria posição nas relações. Algo que não está totalmente à vista, mas que participa da forma como os encontros acontecem.

Isso muda o ponto de vista. Sai da ideia de consertar e se aproxima de outra possibilidade: a de entender o que está em jogo.

Nem sempre essa compreensão aparece como uma resposta direta. Muitas vezes, ela surge aos poucos, quando aquilo que antes se repetia automaticamente começa a ganhar alguma forma, algum contorno.

E, às vezes, é nesse movimento que algo pode se deslocar.

Não por esforço. Mas porque já não se trata exatamente do mesmo ponto.

Nem toda dificuldade em se relacionar é evidente. E nem tudo que se repete é simples de interromper sozinho.

Mas poder falar sobre isso — sem pressa, sem a exigência de encontrar uma solução imediata — já pode produzir um começo diferente.

 
 
 

Mudar de país não desloca apenas o corpo de um lugar para outro. Muitas vezes, algo em nós também se desloca. O que antes parecia familiar perde contorno, a língua deixa de acolher do mesmo modo, os vínculos se tornam mais distantes, e até aquilo que sustentava a rotina pode vacilar. Há quem descubra, só depois de emigrar, que a saudade não é apenas de um país, mas de uma forma de existir.

Do lado de fora, a mudança pode parecer bem-sucedida. Um novo trabalho, uma nova cidade, uma nova organização da vida. Mas, por dentro, nem sempre a travessia acontece com a mesma clareza. Há pessoas que se sentem suspensas entre dois mundos: já não habitam inteiramente o lugar de onde vieram, mas também ainda não se sentem pertencentes ao lugar em que estão. É como se algo ficasse em trânsito por tempo indeterminado.

Emigrar exige muito mais do que adaptação prática. Não se trata apenas de aprender caminhos, resolver documentos, organizar horários ou lidar com outra cultura. Há um trabalho psíquico envolvido nessa passagem. Cada mudança importante convoca perdas, reorganizações, renúncias e reinterpretações. Quando se sai de um país, não se deixa para trás apenas uma geografia. Deixam-se também cenas, cheiros, formas de falar, pequenos rituais, referências afetivas, versões de si que existiam em determinado contexto.

Por isso, a experiência de morar fora pode ser acompanhada por sentimentos difíceis de nomear. Às vezes, aparece a solidão. Em outras, uma angústia difusa, como se algo estivesse fora do lugar sem que se saiba exatamente o quê. Há também quem viva culpa por ter ido, culpa por ter deixado pessoas, culpa por ter desejado outra vida. E há quem sofra com a sensação de não conseguir mais voltar a ser quem era, nem conseguir ainda se tornar quem imaginava que seria.

Nem sempre esse sofrimento aparece de modo dramático. Muitas vezes, ele se insinua no cansaço, na irritação, na dificuldade de criar laços, na apatia, na insônia, no excesso de trabalho ou numa ansiedade que vai se espalhando pela rotina. Em alguns casos, o sujeito se vê funcionando bem por fora e, ainda assim, experimentando um vazio difícil de explicar. Em outros, a vida prática segue, mas algo do desejo se empobrece.


Há um ponto particularmente importante nessa experiência: a língua. Viver em outro idioma pode ampliar o mundo, mas também pode produzir um tipo de desencontro íntimo. Nem sempre conseguimos dizer de nós do mesmo modo em outra língua. Certas nuances do sofrimento, certas lembranças, certas formas de humor, de afeto e de dor parecem encontrar mais facilmente passagem na língua materna. Falar não é apenas transmitir informação; é também habitar um campo simbólico em que nos reconhecemos e somos reconhecidos.

É por isso que, para muitas pessoas que vivem fora do Brasil, poder falar em português num espaço de escuta faz diferença. Não porque a língua materna seja um refúgio idealizado, mas porque nela algo do sujeito pode reaparecer com menos esforço. Às vezes, o que estava endurecido em outra língua encontra, em português, uma forma mais viva de ser dito. E quando algo pode ser dito, já não pesa exatamente do mesmo modo.

A psicanálise não oferece uma adaptação pronta nem uma fórmula para apagar o mal-estar da emigração. Seu trabalho não é ensinar a “se encaixar” melhor, mas abrir um espaço em que o sujeito possa falar daquilo que vive, do que perdeu, do que repete, do que teme e do que deseja. Em vez de reduzir o sofrimento a um manual de ajuste, a escuta analítica permite que cada um encontre a lógica singular de sua travessia.

Isso é importante porque nem todo sofrimento de quem emigra diz respeito apenas ao presente. Muitas vezes, a mudança de país toca questões mais antigas: separações anteriores, experiências de desenraizamento, fantasias de recomeço, ideais de sucesso, modos de pertencer, conflitos familiares e impasses no desejo. A nova geografia pode reativar dores antigas ou expor, com mais nitidez, algo que antes ficava abafado pela rotina conhecida.

Em alguns casos, morar fora produz também uma experiência curiosa: a de se tornar estrangeiro para si mesmo. A pessoa já não se reconhece da mesma maneira. O que antes organizava sua identidade enfraquece, e surge a pergunta, nem sempre formulada, mas muitas vezes sentida: quem sou eu aqui? O que resta de mim longe daquilo que me nomeava? O que, em mim, dependia do lugar de onde vim? E o que pode nascer a partir desse desencontro?

Essas perguntas não precisam ser respondidas às pressas. Às vezes, o mais importante é sustentar um espaço onde elas possam existir. Um espaço em que não seja preciso demonstrar adaptação exemplar, nem justificar sofrimento, nem produzir rapidamente um sentido para tudo. Há experiências que só podem ser elaboradas quando encontram escuta.

O atendimento psicológico e psicanalítico online pode ser, para brasileiros no exterior, uma possibilidade importante de cuidado. Não para apagar a distância, mas para que ela possa ser simbolizada. Não para eliminar a falta, mas para que o sujeito não fique inteiramente capturado por ela. Em muitos casos, poder falar em português, com regularidade e escuta ética, permite recolocar algo em movimento onde antes havia apenas suspensão, desencontro ou peso.

Morar fora pode ampliar horizontes, mas também pode expor fragilidades, perdas e impasses subjetivos que nem sempre encontram lugar fácil na vida cotidiana. Quando isso acontece, falar pode ser mais do que desabafar. Pode ser uma forma de elaborar, de reencontrar um ponto de amarração e de construir outra relação com aquilo que hoje pesa.

Se você vive fora do Brasil e busca um espaço de escuta em língua portuguesa, o atendimento psicológico e psicanalítico online pode ser uma possibilidade importante.

(psicólogo online para brasileiros no exterior)

 
 
 
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© 2026 por Arthur Alexander Abrahão

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